Cantando estava um dia bem seguro
Luís Vaz de Camões · (Cantando estava um dia bem seguro), p. 161
Cantando estava um dia bem seguro,
Quando passava Sylvio, e me dizia:
(Sylvio, pastor antiguo que sabia
Por o canto das aves o futuro)
Liso, quando quizer o fado escuro,
A oprimir-te virão em um só dia
Dous lobos; logo a voz e a melodia
Te fugirão, e o som suave e puro.
Bem foi assi; porque um me degolou
Quanto gado vacum pastava e tinha,
De que grandes soldadas esperava.
E por mais damno o outro me matou
A cordeira gentil, qu'eu tanto amava,
Perpétua saudade da alma minha.
Grafia atualizada a partir da edição de origem, guardando as formas que são do autor. · Fonte
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