Amor, que o gesto humano na alma escreve
Luís Vaz de Camões · (Amor, que o gesto humano na alma escreve), p. 79
Amor, que o gesto humano na alma escreve,
Vivas faiscas me mostrou um dia,
Donde um puro crystal se derretia
Por entre vivas rosas e alva neve.
A vista, que em si mesma não se atreve,
Por se certificar do que ali via,
Foi convertida em fonte, que fazia
A dor ao sofrimento doce e leve.
Jura Amor, que brandura de vontade
Causa o primeiro efeito; o pensamento
Endoudece, se cuida que he verdade.
Olhai como Amor gera, em um momento,
De lágrimas de honesta piedade
Lágrimas de imortal contentamento.
Grafia atualizada a partir da edição de origem, guardando as formas que são do autor. · Fonte
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