O Quinto Império
Fernando Pessoa · Mensagem (1934), pp. 76-77
Triste de quem vive em casa,
Contente com o seu lar,
Sem que um sonho, no erguer de asa,
Faça até mais rubra a brasa
Da lareira a abandonar!
Triste de quem é feliz!
Vive porque a vida dura.
Nada na alma lhe diz
Mais que a lição da raiz —
Ter por vida a sepultura.
Eras sobre eras se somem
No tempo que em eras vem.
Ser descontente é ser homem.
Que as forças cegas se domem
Pela visão que a alma tem!
E assim, passados os quatro
Tempos do ser que sonhou,
A terra será teatro
Do dia claro, que no atro
Da erma noite começou.
Grecia, Roma, Christandade,
Europa — os quatro se vão
Para onde vai toda edade.
Quem vem viver a verdade
Que morreu D. Sebastião?
Grafia atualizada a partir da edição de origem, guardando as formas que são do autor. · Fonte
Frases tiradas deste poema
Estes versos andam a circular sozinhos. Aqui ficam com o poema inteiro por trás, e com a fonte à vista.
Triste de quem é feliz!
O Quinto Império, de Fernando PessoaVerificada
Eras sobre eras se somem No tempo que em eras vem.
O Quinto Império, de Fernando PessoaVerificada
Ser descontente é ser homem.
O Quinto Império, de Fernando PessoaVerificada
Mais poemas de Fernando Pessoa
Sabes mais sobre isto?
Se conheces outra versão, se dizem de outra maneira na tua terra, ou se encontraste um erro, diz. É assim que isto melhora.