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Poema

Primeiros conselhos do outono

Antero de Quental · Primaveras românticas (1872), p. 201

Ouve tu, meu cançado coração, O que te diz a voz da Natureza: — «Mais te valera, nú e sem defeza, Ter nascido em aspérrima soidão, Ter gemido, ainda infante, sobre o chão Frio e cruel da mais cruel deveza, Do que embalar-te a Fada da Beleza, Como embalou, no berço da Ilusão! Mais valera à tua alma visionaria, Silenciosa e triste ter passado Por entre o mundo hostil e a turba varia, (Sem ver uma só flor das mil, que amaste,) Com ódio e raiva e dor — que ter sonhado Os sonhos ideais que tu sonhaste!» —

Grafia atualizada a partir da edição de origem, guardando as formas que são do autor. · Fonte

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Frases tiradas deste poema

Estes versos andam a circular sozinhos. Aqui ficam com o poema inteiro por trás, e com a fonte à vista.

Ouve tu, meu cançado coração, O que te diz a voz da Natureza:

Primeiros conselhos do outono, em Primaveras românticas (1872), de Antero de QuentalVerificada

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