O Inconsciente
Antero de Quental · Wikisource, transcrição
O espetro familiar que anda comigo,
Sem que podesse ainda ver-lhe o rosto,
Que umas vezes encaro com desgosto
E outras muitas ancioso espreito e sigo,
É um espetro mudo, grave, antigo,
Que parece a conversas mal disposto...
Ante esse vulto ascetico e composto
Mil vezes abro a boca... e nada digo.
Só uma vez ousei interrogal-o:
— «Quem és (lhe perguntei com grande abalo),
Fantasma a quem odeio e a quem amo?
— Teus irmãos (respondeu), os vãos humanos,
Chamam-me Deus, há mais de dez mil anos...
Mas eu por mim não sei como me chamo...
Grafia atualizada a partir da primeira edição, guardando as formas que são do autor. · Fonte
Frases tiradas deste poema
Estes versos andam a circular sozinhos. Aqui ficam com o poema inteiro por trás, que é o que quase nenhum site dá.
Chamam-me Deus, há mais de dez mil anos... Mas eu por mim não sei como me chamo...
O Inconsciente, em Sonetos (1880), de Antero de QuentalVerificada
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