Na mão de Deus
Antero de Quental · Os Sonetos Completos (1886), p. 121
Na mão de Deus, na sua mão direita,
Descansou afinal meu coração.
Do palácio encantado da Ilusão
Desci a passo e passo a escada estreita.
Como as flores mortais, com que se enfeita
A ignorância infantil, despojo vão,
Depus do Ideal e da Paixão
A forma transitória e imperfeita.
Como criança, em lôbrega jornada,
Que a mãe leva no colo agasalhada
E atravessa, sorrindo vagamente,
Selvas, mares, areias do deserto...
Dorme o teu sono, coração liberto,
Dorme na mão de Deus eternamente!
Grafia atualizada a partir da edição de origem, guardando as formas que são do autor. · Fonte
Frases tiradas deste poema
Estes versos andam a circular sozinhos. Aqui ficam com o poema inteiro por trás, e com a fonte à vista.
Na mão de Deus, na sua mão direita, Descansou afinal meu coração.
Na mão de Deus, de Antero de QuentalVerificada
Dorme o teu sono, coração liberto, Dorme na mão de Deus eternamente!
Na mão de Deus, de Antero de QuentalVerificada
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