Intimidade
Antero de Quental · Primaveras românticas (1872), p. 141
Quando, sorrindo, vais passando, e toda
Essa gente te mira cubiçosa,
És bela — e se te não comparo à rosa,
É que a rosa, bem vês, passou de moda...
Anda-me ás vezes a cabeça à roda,
Atraz de ti também, flor caprichosa!
Nem pode haver, na multidão ruidosa,
Coisa mais linda, mais absurda e douda.
Mas é na intimidade e no segredo,
Quando tu córas e sorris a medo,
Que me apraz ver-te e que te adoro, flor!
E não te quero nunca tanto (ouve isto)
Como quando por ti, por mim, por Cristo,
Juras — mentindo — que me tens amor...
Grafia atualizada a partir da edição de origem, guardando as formas que são do autor. · Fonte
Frases tiradas deste poema
Estes versos andam a circular sozinhos. Aqui ficam com o poema inteiro por trás, e com a fonte à vista.
És bela — e se te não comparo à rosa, É que a rosa, bem vês, passou de moda...
Intimidade, em Primaveras românticas (1872), de Antero de QuentalVerificada
Nem pode haver, na multidão ruidosa, Coisa mais linda, mais absurda e douda.
Intimidade, em Primaveras românticas (1872), de Antero de QuentalVerificada
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