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Poema

Evolução

Antero de Quental · Os Sonetos Completos (1886), p. 102

Fui rocha, em tempo, e fui, no mundo antigo, Tronco ou ramo na incógnita floresta... Onda, espumei, quebrando-me na aresta Do granito, antiquíssimo inimigo... Rugi, fera talvez, buscando abrigo Na caverna que ensombra urze e giesta; Ou, monstro primitivo, ergui a testa No limoso paul, glauco pacigo... Hoje sou homem — e na sombra enorme Vejo, a meus pés, a escada multiforme, Que desce, em espirais, na imensidade... Interrogo o infinito e às vezes choro... Mas, estendendo as mãos no vácuo, adoro E aspiro unicamente à liberdade.

Grafia atualizada a partir da edição de origem, guardando as formas que são do autor. · Fonte

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Frases tiradas deste poema

Estes versos andam a circular sozinhos. Aqui ficam com o poema inteiro por trás, e com a fonte à vista.

Interrogo o infinito e às vezes choro... Mas estendendo as mãos no vácuo, adoro E aspiro unicamente à liberdade.

Evolução (Antero de Quental), de Antero de QuentalVerificada

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