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Poema

Ad amicos

Antero de Quental · Os Sonetos Completos (1886), p. 19

Em vão lutamos. Como névoa baça, A incerteza das coisas nos envolve. Nossa alma, enquanto cria, enquanto volve, Nas suas próprias redes se embaraça. O pensamento, que mil planos traça, É vapor que se esvai e se dissolve; E a vontade ambiciosa, que resolve, Como onda entre rochedos se espedaça. Filhos do Amor, nossa alma é como um hino À luz, à liberdade, ao bem fecundo, Prece e clamor dum pressentir divino; Mas num deserto só, árido e fundo, Ecoam nossas vozes, que o Destino Paira mudo e impassível sobre o mundo.

Grafia atualizada a partir da edição de origem, guardando as formas que são do autor. · Fonte

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Frases tiradas deste poema

Estes versos andam a circular sozinhos. Aqui ficam com o poema inteiro por trás, e com a fonte à vista.

Em vão lutamos. Como névoa baça, A incerteza das coisas nos envolve.

Ad amicos, de Antero de QuentalVerificada

Postal

Filhos do Amor, nossa alma é como um hino À luz, à liberdade, ao bem fecundo, Prece e clamor d'um presentir divino;

Ad amicos, de Antero de QuentalVerificada

Postal

Mas n'um deserto só, árido e fundo, Ecoam nossas vozes, que o Destino Paira mudo e impassível sobre o mundo.

Ad amicos, de Antero de QuentalVerificada

Postal

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