Cesário Verde
1855 a 1886 · obra em domínio público desde 1957

Cesário Verde (1855-1886) morreu de tuberculose aos 31 anos, caixeiro de profissão, sem livro publicado. O irmão de letras Silva Pinto juntou-lhe os poemas no ano seguinte e esse volume, O Livro de Cesário Verde, mudou a poesia portuguesa: em vez de luar e ai, a cidade real, as varinas, o cheiro das ruas, a saúde do campo. O Sentimento dum Ocidental, o seu passeio noturno por Lisboa, é o poema onde a literatura portuguesa aprendeu a ver a rua. Pessoa chamou-lhe mestre, e não foi cortesia. Trabalhou toda a vida curta na loja de ferragens do pai, na Rua dos Fanqueiros, e fez da caixeirice matéria-prima: ninguém antes dele tinha posto o comércio, os empregados e o fim do dia dentro de um poema português. Álvaro de Campos, o engenheiro de Pessoa, declara-o mestre por escrito («ó Cesário Verde, ó Mestre») nos Dois Excertos de Odes. Aqui está com O Sentimento dum Ocidental e os poemas do campo e da cidade, na grafia de hoje.
Poemas
Frases
Cada uma diz de que obra saiu e em que capítulo.
Se a minha amada um longo olhar me desse Dos seus olhos que ferem como espadas, Eu domaria o mar que se enfurece E escalaria as nuvens rendilhadas.
Se ela quisesse amar, no azul do espaço, Casando as suas penas com as minhas, Eu desfaria o Sol como desfaço As bolas de sabão das criancinhas.
Se aquela por quem já não tenho risos Me concedesse apenas dois abraços, Eu subiria aos róseos paraísos E a Lua afogaria nos meus braços.
Naquele «pic-nic» de burguesas, Houve uma coisa simplesmente bela, E que, sem ter história nem grandezas, Em todo o caso dava uma aguarela.
A sua voz que tem um timbre de ouro
Grande dama fatal, sempre sozinha,
E os povos humilhados, pela noite, Para a vingança aguçam os punhais.
Porque tudo no mundo morre e muda,
Vivo louco de dor e de martírio.
Longamente sonhamos sonhos belos, Sentindo a fresquidão das verdes selvas.
E possuis muito amor... muito amor-próprio.
Foi um único abraço comprimido, Foi um beijo, por meses, prolongado.
Obras usadas
- O Livro de Cesário Verde (1887)
O Livro de Cesário Verde, 1873-1886 (Lisboa, Typographia Elzeviriana, 1887), primeira edição, organizada por Silva Pinto. Fac-símile do Internet Archive lido página a página. - Arrojos
Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/cesario-verde/arrojos/ - Deslumbramentos
Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/cesario-verde/deslumbramentos-cesario-verde/ - De tarde
Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/cesario-verde/de-tarde/ - Setentrional
Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/cesario-verde/setentrional/ - Vaidosa
Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/cesario-verde/vaidosa/
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