São Pedro de Rates, o primeiro bispo
Conta a tradição que, nos primeiros anos do cristianismo, Santiago em pessoa passou pelo noroeste da península a pregar a fé nova. Em Rates, terra pequena entre o Cávado e o Ave, ter-lhe-ia sido apresentado um morto, filho de gente principal; e o apóstolo, diante de todos, devolveu-lhe a vida. O ressuscitado, que a lenda diz chamar-se Pedro, não voltou à vida antiga: seguiu o apóstolo, recebeu dele o batismo e a missão, e tornou-se o primeiro bispo de Braga, a primeira cadeira cristã destas terras.
O bispado custou-lhe caro. Pregando aos gentios, Pedro de Rates acabou martirizado pela espada, e a tradição aponta o lugar do martírio ali mesmo, na sua terra, onde o sangue do primeiro bispo consagrou o chão antes de haver Portugal. Sobre a sepultura cresceu o culto, e sobre o culto cresceu a igreja: a atual, românica, de pedra dourada e portais lavrados, é das mais bonitas do país, e ainda hoje se levanta sozinha no meio do casario baixo, grande de mais para a terra, à medida exata da lenda.
Braga, que fez do seu primeiro bispo bandeira, levou-lhe o corpo para a Sé, e Rates ficou com o nome, a igreja e o orgulho. Durante séculos, os peregrinos do caminho português de Santiago fizeram ali paragem certa: fazia sentido pedir pousada ao homem que o próprio Santiago tinha erguido da morte.
É uma lenda de fundação como poucas: não explica uma ponte nem um penedo, explica uma igreja-mãe. E fá-lo com a ferramenta mais antiga do género, um milagre com testemunhas anónimas e um túmulo que ninguém pode abrir para tirar teimas.
Sabes mais sobre isto?
Se conheces outra versão, se dizem de outra maneira na tua terra, ou se encontraste um erro, diz. É assim que isto melhora.