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Lenda

A Moura Encantada de Sintra

A serra de Sintra é o sítio mais assombrado da Estremadura, e as suas lendas moram quase todas no mesmo endereço: o Castelo dos Mouros, pendurado sobre a vila, com o nevoeiro a entrar e a sair pelas ameias.

Os mouros tiveram Sintra até 1147, quando a vila se entregou a D. Afonso Henriques logo a seguir à queda de Lisboa, e deixaram na serra muralhas, nomes e cisternas. Para o povo, deixaram mais do que isso: quem perde um castelo daqueles não parte, esconde-se, e a serra ficou habitada por dentro.

Conta-se que a filha do alcaide mouro, a quem algumas versões chamam Zaida, se apaixonou por um cavaleiro cristão dos que rondavam a serra. Quando o castelo caiu, a rapariga não apareceu entre os vivos nem entre os mortos: tinha-se sumido por uma passagem secreta que desce da muralha para dentro da terra, e lá ficou, encantada, à espera de quem a venha libertar.

A serra guarda-lhe a porta. Perto do castelo há uma rocha fendida a que o povo chama a Cova da Moura, e é por ali, dizem, que se entra para o mundo de baixo, onde a moura fia e canta. Nas noites certas, garantem os antigos, ouve-se o canto a sair da pedra.

E como se uma moura não bastasse, a tradição acrescenta outra maravilha: debaixo da cisterna do castelo estaria sepultado um rei mouro, fechado num sarcófago de bronze e prata, guardado por génios que não deixam ninguém aproximar-se. A cisterna existe, escura e fria como a lenda pede. Do rei nunca ninguém trouxe notícia, o que, em matéria de lendas, é o mesmo que dizer que lá continua.

E o resto da serra foi juntando as suas: poços, grutas e penedos com moura dentro, tantos que Sintra nunca soube ter uma lenda só.

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