Ditos

As palavras para cada ocasião.

Lenda

Egas Moniz e a corda ao pescoço

Quando Guimarães se viu cercada pelo exército de Afonso VII de Leão e Castela, o jovem Afonso Henriques não tinha força para resistir. Foi o seu aio, Egas Moniz, senhor das terras de Ribadouro, quem saiu ao campo inimigo com uma promessa: levantassem o cerco, e ele garantia que o príncipe prestaria obediência ao primo castelhano. O cerco levantou-se, fiado na palavra daquele homem.

O príncipe, porém, não era de obedecer, e o tempo tratou de o mostrar. Chegado o prazo, Afonso Henriques não compareceu, e a palavra de Egas Moniz ficou pendurada entre dois reinos. Naquele tempo, uma palavra assim valia a vida de quem a tinha dado.

Egas não esperou que lha viessem cobrar. Partiu para Toledo por seu pé, e levou consigo a mulher e os filhos. A tradição pinta-os de corda ao pescoço, descalços, em figura de condenados, a atravessar meia península para se entregarem. Diante do imperador, Egas ofereceu o que tinha: a vida dele e as dos seus, em pagamento da palavra que não pudera cumprir.

Afonso VII mediu aquele homem que viera de tão longe para morrer por uma promessa, e achou que destruir tamanha lealdade era luxo que nem um imperador se podia dar. Perdoou-lhe, e mandou-o para casa com a família e com a honra, que era afinal tudo o que Egas tinha posto em cima da mesa.

A cena ficou das mais contadas da nossa história: o mestre que paga a fatura do discípulo, a palavra que vale uma vida. No mosteiro de Paço de Sousa, onde Egas Moniz está sepultado, há quem veja esculpida no túmulo a própria viagem, com o séquito a caminho de Toledo.

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