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Lenda

A Fonte das Lágrimas

Em Coimbra, numa quinta debruçada sobre o Mondego, há uma fonte com um nome que é um resumo: Fonte das Lágrimas. Foi ali perto, diz a tradição, que Inês de Castro viveu os seus dias escondidos com D. Pedro, e foi ali que a vieram matar em 1355, por ordem do rei velho.

A quinta é hoje conhecida por Quinta das Lágrimas, e o nome, caso raro, nasceu da lenda e não o contrário: primeiro houve o choro, depois o batismo.

O que aconteceu a seguir pertence à história de Pedro e Inês, que contamos na página deles: o príncipe que endoideceu de dor, a vingança, a rainha coroada depois de morta. A fonte pertence à lenda, e a lenda diz assim: as mulheres do Mondego choraram tanto aquela morte, e por tanto tempo, que as lágrimas não se perderam. Juntaram-se, romperam a terra e fizeram-se água que ainda hoje corre.

Foi Camões quem passou a certidão em verso: as filhas do Mondego, escreveu, «por memória eterna, em fonte pura / as lágrimas choradas transformaram», e o nome que lhe puseram, «que inda dura», veio «dos amores de Inês que ali passaram». O remate faz o resto: «que lágrimas são a água, e o nome amores».

Os versos correram o mundo com o poema e fizeram da fonte um destino: gerações de namorados, poetas e curiosos têm descido àquele canto de Coimbra à procura da água que já foi choro.

A tradição local acrescentou o seu selo. Nas pedras do fundo da fonte cresce uma alga avermelhada, e o povo garante que aquilo não é alga nenhuma: é o sangue de Inês, que a água não consegue lavar. Quem visita a Quinta das Lágrimas ainda hoje se debruça a procurá-lo. E encontra-o, porque há coisas que se veem melhor com a lenda ao lado.

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