Se a carapuça serviu...
Etimologia popular
Registada em: Priberam, «enfiar a carapuça»
É uma expressão irónica usada quando alguém, depois de ouvir uma crítica ou comentário, se identifica com aquilo que foi dito e acaba por assumir, ainda que indiretamente, que a situação lhe diz respeito.
A carapuça era um barrete cónico de lã ou pano, coisa de pobre e de trabalho, que se enfiava pela cabeça abaixo. Daí as duas expressões que dela ficaram: «enfiar a carapuça», que é dar-se por achado com uma crítica que não trazia morada, e o remate «se a carapuça serviu», que se diz a quem se ofendeu com o reparo e, ofendendo-se, confessou.
Conta-se muitas vezes que a carapuça vem dos chapéus pontiagudos que a Inquisição punha aos condenados; é história que circula sem documento que a segure, e a expressão passa bem sem ela. O mecanismo é o do vestuário: a crítica anda por aí ao ar, e quem a veste é porque lhe serve. O barrete faz o mesmo serviço na variante «enfiar o barrete», que se ouve pelo país inteiro.
Revisão editorial de Rogério Junior · atualizada a 18 de setembro de 2026.
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