Ditos

As palavras para cada ocasião.

Júlio Dinis

1839 a 1871 · obra em domínio público desde 1942

Retrato ilustrado de Júlio Dinis

Júlio Dinis é o nome que Joaquim Guilherme Gomes Coelho (1839-1871) escolheu para assinar os romances; na vida civil era médico, formado e depois professor na escola médica do Porto. Doente dos pulmões desde novo, escreveu contra o tempo: quatro romances em meia dúzia de anos, As Pupilas do Senhor Reitor à cabeça, que fizeram dele o romancista mais lido do seu tempo e o inventor do romance rural português, com as suas aldeias, boticários e raparigas de juízo. A tuberculose levou-o aos 31 anos, no Porto. Ficou a obra: serena, bem-humorada e cheia de máximas de quem observava gente como quem auscultava doentes.

Frases

Cada uma diz de que obra saiu e em que capítulo.

Vai experimentar outras sensações, e à força de distrair os sentidos, é raro que não acabe por distrair o coração.

As Pupilas do Senhor Reitor (1867), capítulo VIVerificada

Postal

Adquirira já o hábito da tristeza e das lágrimas, e este, como todos os hábitos, não se perde facilmente.

As Pupilas do Senhor Reitor (1867), capítulo IXVerificada

Postal

As pessoas mais sisudas e graves têm momentos na vida, durante os quais, a sós consigo, se entregam a distrações de crianças.

As Pupilas do Senhor Reitor (1867), capítulo XXIVVerificada

Postal

A bondade é um rico manancial, que brota lágrimas ao toque da menor comoção.

A Morgadinha dos Canaviais (1868), capítulo IIVerificada

Postal

O perfume da saudade é como o de certas flores, que só se percebe quando de longe o recebemos.

A Morgadinha dos Canaviais (1868), capítulo IIVerificada

Postal

O homem positivo e frio recolhe de qualquer excursão à pátria com a carteira cheia de apontamentos; o entusiasta e poeta nem uma data regista.

A Morgadinha dos Canaviais (1868), capítulo IVerificada

Postal

É sombria a saudade naquelas idades, porque as esperanças são já muito débeis para lhe darem luz.

A Morgadinha dos Canaviais (1868), capítulo XVIVerificada

Postal

Quem deveras confia nos destinos da humanidade não tem medo das lágrimas.

A Morgadinha dos Canaviais (1868), capítulo XXIVerificada

Postal

A luta da vida pode embriagar-te, filho, mas não te fará feliz.

A Morgadinha dos Canaviais (1868), capítulo XIIVerificada

Postal

O homem não pode dividir-se; os pecados sociais de quem é virtuoso nos lares domésticos pagam-se, expiam-se nesses mesmos lares.

A Morgadinha dos Canaviais (1868), capítulo XXIIVerificada

Postal

É uma triste verdade esta da pouca ou nenhuma fé que se tem no desinteresse dos outros!

A Morgadinha dos Canaviais (1868), capítulo XXXIVerificada

Postal

O homem indiferente aos aplausos das turbas nunca será poeta nem artista de verdadeira inspiração.

A Morgadinha dos Canaviais (1868), capítulo XVIIIVerificada

Postal

Não há posição social, situação na vida, por mais abjecta e precária que pareça, que não tenha a sua aristocracia.

Uma Família Inglesa (1868), capítulo VIIIVerificada

Postal

É notável a importância que, nestas coisas de coração, damos à opinião alheia!

Uma Família Inglesa (1868), capítulo XIXVerificada

Postal

O pensar com os olhos fechados é só bom quando se trata de coisas puramente metafísicas; mas procurar assim regras de procedimento na vida é imprudente.

Uma Família Inglesa (1868), capítulo XXIXVerificada

Postal

A esperança impele-nos para diante e mostra-nos um esplêndido amanhã; esqueçamos portanto a escuridade de hoje.

Uma Família Inglesa (1868), capítulo VVerificada

Postal

O mundo é assim em toda a parte, rapaz; e é preciso fazer a vista grossa para certas coisas.

Os Fidalgos da Casa Mourisca (1871), capítulo XIIVerificada

Postal

Quem tem no coração um segredo que de todos quer recatar, trai-o muitas vezes, à força de o disfarçar.

Os Fidalgos da Casa Mourisca (1871), capítulo XXIVVerificada

Postal

Obras usadas

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