Augusto dos Anjos
1884 a 1914 · obra em domínio público desde 1985

Augusto dos Anjos (1884-1914) publicou um único livro, o Eu, em 1912, e esse livro chegou para o tornar um caso à parte na poesia em língua portuguesa. Brasileiro da Paraíba, professor pobre, morto de pneumonia aos 30 anos, escreveu sonetos com vocabulário de tratado científico, cheios de células, vermes e ácidos, para dizer a angústia mais antiga do mundo. Foi desprezado por delicadeza e amado pelo público: o Eu nunca mais saiu de catálogo no Brasil. O soneto Versos Íntimos, com o seu conselho feroz, anda em toda a parte. O Eu saiu em edição paga pelo irmão e foi recebido com espanto e troça: chamaram-lhe poeta do mau gosto, do cadáver e do escarro, e o povo respondeu decorando-o. Professor de literatura no Rio e depois diretor de escola em Leopoldina, Minas Gerais, morreu aí, longe da Paraíba natal. O vocabulário científico dos sonetos veio das leituras de Haeckel e do evolucionismo, postas ao serviço de uma angústia que não precisava de microscópio.
Poemas
- A Aeronave
- A Caridade
- A Dança da Psique
- A Esmola de Dulce
- A Floresta
- A Fome e o Amor
- Ao Luar
- Apocalipse
- Noivado
- O Mar
- O Negro
- O Poeta do Hediondo
Obras usadas
- Outras Poesias
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